3 fatores para analisar o cenário e decidir: afinal, é um bom momento para investir?


Por um lado, o recrudescimento da pandemia e o consequente reforço das medidas de distanciamento social, por outro lado, a chegada das vacinas...


Com estas e tantas outras condições tornando este um momento tão incerto, misturando temores e esperanças, fica aquela grande e crucial dúvida:


Seria este um bom momento para investir no seu negócio, assumindo os riscos, mas possivelmente aproveitando bons descontos, seja em terrenos e imóveis para novas instalações, modernização das tecnologias e tudo aquilo que afeta a capacidade produtiva?


Ou seria extremamente arriscado, a ponto de que os riscos não compensam os potenciais retornos de investir agora?


Esta é uma pergunta complexa, que envolve múltiplos cenários futuros, condições atuais, e mesmo, especificidades de cada setor e empresa.


Mas neste artigo, buscamos justamente destrinchar e analisar, variável por variável, para que a sua decisão, de investir ou não, seja embasada, e portanto, a mais adequada possível.


1. A tendência ao digital


Um processo que antes mesmo da pandemia já acontecia, mas que em decorrência desse cenário está ganhando cada vez mais força.


Negócios digitais crescem cada vez mais, enquanto estabelecimentos de rua perdem, pelas restrições de circulação, mas também pelas comodidades oferecidas pelos serviços online, desde o fato de não precisar sair de casa até os cashbacks (valores retornados ao consumidor nas compras), facilidade de pesquisa e acesso a mais variedades, comparação de preços, marketing direcionado e personalizado nas redes até os programas de fidelidade.


Isso significa que é o fim das lojas de rua e negócios presenciais?


Não. Ir a um restaurante com a família e seus amigos ou a um shopping sempre terá o seu valor e atrativos. Porém, agora que muitos se inseriram nos ecossistemas de consumo online, a tendência é que parte desse público tenda ao consumo digital, mesmo em um futuro fim da pandemia.


Prova disso, são os seguintes dados:


Em abril do ano passado, o faturamento do comércio eletrônico aumentou 81% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto em maio, o crescimento foi de 126,9%.


No mesmo período, foram registrados 4 milhões de novos clientes do comércio eletrônico, a maior parte, proveniente da classe C.


Em 20 de março de 2020, as ações de uma das maiores empresas atuantes no e-commerce brasileiro, dona de um marketplace, o Mercado Livre, valiam R$ 18,99. Aproximadamente 1 ano depois, no dia 19 de março de 2021, estas mesmas ações tiveram seu fechamento em R$ 66,30, uma alta de mais de 200%, acompanhando as tendências confirmadas de crescimento mas também as expectativas futuras, as quais os preços das ações refletem.


Segundo a Ebit|Nielsen, as vendas do e-commerce no país devem crescer 26%, atingindo um faturamento de R$ 110 bilhões em 2021.


De acordo com o Digital Market Outlook, a previsão é de que o delivery de restaurantes devem atingir 39 milhões de usuários em todo o país até 2024.


Por isso, ao investir em seu empreendimento, pondere sobre as possibilidades de inserção no mundo digital.


Busque implementar um e-commerce, ou ingressar em um serviço de delivery ou marketplace.


Caso seu tipo de serviço ou produto não seja usual nestes tipos de ambiente, ainda assim, as pessoas passam cada vez mais tempo nas redes, por isso, a exposição da marca nestes ambientes é a cada dia mais necessária.


2. Recuperação econômica ou um longo período de crise?


Um ponto crucial e bastante incerto. Não se sabe ainda para que ponto a economia está caminhando.


Esta sem dúvidas é uma informação importante para determinar um investimento.


Se a economia se recupera, as pessoas recuperam seus empregos, a renda aumenta e consequentemente o consumo também, logo, o investimento encontra o seu retorno com uma demanda aquecida.


Em um cenário de recuperação lenta, principalmente os bens considerados não essenciais no consumo de uma família são os mais afetados, mas em geral, o que acontece é que o consumo reduz ou se mantém no mesmo patamar, o contexto econômico pode até piorar, e o consumo baixo torna o investimento pouco rentável.


Mas afinal, a economia, de uma forma geral, dá mais sinais de recuperação ou de piora?


Em 2020, o PIB do Brasil sofreu uma redução de 4,1% em relação a 2019. O pior resultado registrado nos últimos 25 anos.


Houve na segundo semestre do ano, uma recuperação que levou o resultado acima das expectativas iniciais, principalmente no terceiro trimestre.


Entretanto, além de ter perdido um pouco de fôlego no quarto trimestre, fatores que ajudaram esse início de recuperação, como o auxílio emergencial, já acabaram, e novas propostas preveem valores menores.


Isso se traduz em uma renda potencialmente menor, que certamente influenciará a tendência de recuperação ou estagnação da economia.


Mas além disso, a principal questão que influenciará a economia gira em torno de um fator mais sanitário do que propriamente econômico.


Por um lado... o Brasil volta quebrar os seus maiores patamares diários de mortes por Covid-19, novas medidas restritivas adotadas, surgem diferentes cepas do vírus com diferentes potenciais de infecção e letalidade, e ainda não se sabe exatamente se as vacinas terão um desempenho tão bom contra essas variantes quanto possuem para a versão original deste Coronavírus.


Por outro, estas mesmas vacinas finalmente começam a chegar para os mais idosos, e ancorando-se nos primeiros resultados das campanhas de vacinação em estágios mais avançados em outros países, pode-se esperar que isso ajude a melhorar a situação da crise.


Se por natureza negócios ligados a alimentação básica, farmácias, e bens tidos como essenciais no orçamento das famílias tendem a possuir uma maior proteção contra perdas de renda, outras empresas em geral, adquirem um grau de risco maior nestas situações de crise.


Por isso, analise o seu setor e o seu comportamento da demanda em relação a renda, acompanhe os indicadores da economia e estabeleça os principais riscos inerentes ao cenário econômico e compare com os benefícios em investir neste momento, seja uma franquia cujo valor despencou, ou espaço comercial.


É possível que existam sim boas oportunidades. Contanto que ao investir nelas, o empreendedor entenda os riscos e os ganhos destes investimentos.


3. O comportamento da inflação, do câmbio e da taxa de juros


Durante o ano passado, 3 fatores consideravelmente correlacionados ganharam um certo destaque, e são outros fatores importantes para analisar antes de investir em capacidade produtiva, são estes a inflação, o câmbio e a taxa de juros.


Um super ciclo de commodities (matérias-primas produzidas em larga escala e presentes nos custos de produção de variados produtos), e a desvalorização do dólar frente ao real, principalmente, levaram a um acentuado aumento de preços de itens da cesta básica, como arroz, feijão, a gasolina, dentre tantos outros.


Se este processo de aumento de preços, ocasionado por estas circunstâncias continuar, trata-se de mais uma ameaça a outras áreas da economia.


Na medida em que os itens básicos ficam cada vez mais caros e a renda das famílias não aumenta, a tendência é que cada vez um orçamento menor esteja disponível para o consumo de bens de luxo ou produtos premium.


O dólar por sua vez, além de influenciar o preço desses produtos, também aumenta os custos dos empreendimentos que trabalham com importação, por isso, um risco a se levar em consideração para estes, principalmente por se tratar de um momento de incerteza, quando a moeda tende a se valorizar em relação a moedas de países emergentes, como o Real.


E em relação a taxa de juros?


Você já deve saber que ela influencia no custo dos investimentos, na medida em que influencia os pagamentos a prazo.


Isto por si só já é um motivo para estar de olho na taxa de juros ao investir em seu negócio.


Mas o que acontece é que a taxa de juros também é uma variável importante para o consumo de setores de bens de consumo cíclico em geral, como a construção civil e o varejo por exemplo, influenciando também a demanda na economia. Lembrando que quanto maiores os juros, uma empresa terá menor propensão em comprar um terreno para uma nova fábrica, tal como uma pessoa mais dificilmente entrará em um financiamento de um carro.


Um aumento ou diminuição na taxa de juros pode ainda influenciar a taxa de câmbio, na medida em que títulos públicos brasileiros podem se tornar mais ou menos atrativos no exterior em um fenômeno conhecido como carry trade, que ocorre em escala capaz de valorizar ou desvalorizar uma moeda.


Assim, maiores juros representam maior remuneração ao título, logo, maior demanda pelos títulos, e consequentemente, maior demanda pelo Real também, provocando uma valorização da moeda.


Perceba como a taxa de juros é uma variável "coringa", capaz de influenciar uma porção de negócios e investimentos diretamente, aumentando ou reduzindo riscos, consumo... ou indiretamente, provocando mudanças no câmbio ou na inflação, que também podem representar grandes ameaças ou oportunidades para uma empresa.


No último acontecimento ligado a este fator por exemplo, o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central aumentou a taxa SELIC, a taxa básica de juros no Brasil, de 2% ao ano para 2,75%, e ainda anunciou que, exceto se o cenário mudar de maneira considerável, um novo aumento de 0,75 pontos percentuais será provavelmente adotado.


Você consegue entender como isso pode afetar a sua empresa? Seja através dos custos de alavancagem ou influenciando a oferta?


Isso não significa que ficará caro investir, que não compensará. Tudo depende de um ponto de vista.


Em relação ao mês passado, os custos aumentaram, mas comparando com taxas em anos anteriores, atualmente ainda é um patamar bastante inferior. E significa então que está barato?


Não necessariamente. lembre-se do risco implícito de investir em um cenário de pandemia e crise.


Em se tratando de um investimento, a única maneira de dizer se algo compensa ou não, se está barato ou caro, é analisando custos em relação aos benefícios, riscos em relação aos retornos, a sua necessidade de retornos e a tolerância aos riscos.


Conclusão


Antes de qualquer decisão econômica, é necessário buscar a maior quantidade de informação relevante possível.


Percebemos que algumas áreas, como o e-commerce, deliveries e negócios digitais possuem boas perspectivas, mas também enxergamos um cenário incerto, com diferentes variáveis em atuação, mas que também pode oferecer oportunidades.


Por isso, estude o mercado, as preferências dos consumidores, a renda, entenda as perspectivas do cenário, os indicadores econômicos e tudo aquilo que tem o poder de influenciar o seu investimento e a rentabilidade.


Decisões racionais são aquelas que buscam maximizar os resultados frente aos custos e riscos, e sem as informações, não é possível mensurar a real dimensão de tudo isso, o que leva a decisões possivelmente incompatíveis com cada cenário.


Mas agora que você sabe quais são as principais variáveis que pressionam o mundo dos negócios nesta crise, trata-se de um bom ponto de partida para analisar o cenário e tomar sua melhor decisão.


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